A Malícia do Direito – III.

      A busca por suprema liberdade lida diretamente com leis, aquele que busca liberdade sobre tudo, não pode garantir isso sem antes coagir todos a lhes garantir esse “direito”. A mente sádica – amante da liberdade, depreciadora dos deveres – grita alto por direitos sem que a finalidade disso seja uma vida comum e decente, seu verdadeiro objetivo é destruir a moralidade afim de legitimar sua conduta libertina, pois sem moral normativa, não existe pecado[1]. O direito que o libertino realmente deseja é o de viver suspenso numa bolha em meio a realidade, sem levar em conta a história, ambiente e suas limitações naturais de criatura. O anseio pela cláusula que declare sua liberdade em detrimento de qualquer norma colocada pela sociedade ou a igreja, é o que guia o ativismo de muitos. Infelizmente esse ativismo tem rendido frutos, e os Direitos Humanos são parte do escudo utilizado por revolucionários na batalha em prol de suas reivindicações que mais são egocêntricas do que qualquer outra coisa.

“Infelizmente, estamos neste ponto: todos – os sindicatos, as mulheres, os deficientes – adquiriram o hábito de calcular seus “direitos” apenas com base na consideração narcisista de si mesmos e somente deles. Seguindo essa via, deduzimos do sujeito: o Homem, sem considerar a natureza política e social dos homens, nasceram os direitos humanos, infinitos: “felicidade”, “saúde”, direito de possuir uma coisa totalmente, sem seu único proveito, liberdades perfeitas. É bem esse ponto de vista do sujeito! Mas falsas promessas, insustentáveis, irreais, ideológicas. ”[2]

       Há um espírito narcisista naqueles que lutam pela liberdade absoluta, espírito o qual propaga-se rapidamente.
A natureza ruim dos direitos está no fato de que eles substituem aquilo que Deus Soberanamente colocou como ideal para nós: leis para serem cumpridas, que colocam deveres diante de nós, e não direitos. Para conclusão de que os DH são de fato egoístas, tenho em mente o contraste entre tais direitos e a palavra de Deus. Enquanto na literatura bíblica o Deus criador coloca deveres aos homens para com tudo e todos, os homens hoje criam para si direitos para consigo mesmo.
Você já deve ter ouvido: “A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.”. Não se tem total certeza de quem é o autor da frase, mas o fato é muitos acham ela a melhor solução para limite de direitos e liberdade. Dizem que se colocar no lugar do outro é a melhor forma de saber se você pode ou não se sentir livre para fazer alguma coisa. O problema dessa perspectiva é, mais uma vez, sua exclusão de Deus como Juiz sobre o homem, independentemente daquilo que o homem ou os outros ao seu redor julgam lícito ou não. Além disso, por que, necessariamente, um homem hesitaria em reprimir a liberdade de outro quando se sentir livre para isso? Pedir para se colocar no lugar do próximo não funciona para quem não quer ter limites. Essa solução é completamente insuficiente, visto que dois homens do mesmo tamanho podem não se sentir obrigados a fazer ou deixar de fazer algo por respeito ao outro. Quando a lei humana é a única voz de repreensão numa sociedade, o coração do homem – que é inclinado para o mal – não demorará para se impor ao que tenta lhe por limites.

“É a noção de uma liberdade anárquica, que consiste em fazer tudo o que deseja, desde que isso não prejudique o vizinho. Nesta perspectiva, o consenso social, a opinião pública, ou simplesmente ‘os costumes’, jamais poderiam ser pervertidos! Esta concepção ‘filosófica’, totalmente abstrata, substitui a concepção bíblica de liberdade, compreendida como sendo nossa conformidade, nossa submissão, livremente consentida, à ordem da criação de Deus, como foi expressa em sua Palavra-lei revelada.”. [3]

           De todos os modos, o modelo bíblico para moral e liberdade do homem é eclipsado, seja diretamente ou não, pelo sistema de leis humanas que lidam com os temas direito e liberdade.

“Jamais encontraremos na bíblia algo como direito de reivindicar o que nos parece bom ou recusar o que nos parece meu. Trata-se sempre do dever, da obrigação, do mandamento que nos foi dado para resistir ao mal: aborrecer ao mal (Rm 12.9); amar e obedecer o bem: apegar-se ao bem (Rm 12.9). O problema fundamental persiste, o homem absolutamente pecador, sempre tentado a reclamar de direitos que não são seus; é preciso, então, em caráter imperativo, limitar sua cobiça e dirigir a atenção para seus deveres. ”[4]

       Os direitos não são a melhor solução para a desigualdade, para conservar sua liberdade e etc; a melhor forma de forma de cultivar o bem comum, é o retorno a fé bíblica. Os dez mandamentos são a maior e mais clara expressão de que somente deveres para com Deus e o próximo podem numa liberdade saudável. Os direitos terrestres são manipuláveis, e o libertino sempre procurará brechas para validar suas práticas. As coisas não se tornam legítimas apenas pelo consenso dos homens, há uma lei transcendente, existem deveres a ser cumpridos.

[1] Não que o pecado deixaria de existir literalmente, mas na mentalidade deles, sim.

[2]Apud. BERTHOUD, J.-M. Uma Religião Sem Deus – Direitos Humanos e a Palavra de Deus. 1º. ed. Brasília: Monergismo, 2018. p. 41.

[3] Id. Ibid,. p. 56

[4] Id. Ibid., p. 62

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: