LIBERTINAGEM: RELIGIOSIDADE QUEM NEGA DEUS – II.

        Para existir, a filosofia libertária precisa, acima de tudo, destruir toda narrativa normativa que diga que o poder e a justiça emanam de algo que não é o homem em si. A ofuscação de uma concepção normativa religiosa sobre uma sociedade, depende, necessariamente, da construção de uma nova norma, de uma revolução igualmente religiosa. A busca desenfreada pelo novo e pela liberdade não acontece por outra razão senão a crença no poder regenerativo do desejo saciado de poder, ter e ser o que quiser. Pode-se facilmente observar essa cosmovisão em nossos dias quando se compara a geração de senhores de idade avançada que, buscando religiosamente uma “redenção”, se vestem e falam como jovens. A esse respeito, diz Rushdoony:

“Os homens rebelam-se contra aquilo que veem como uma maturidade vazia em prol de um novo começo, um novo princípio. Visto que os homens não podem tornar-se jovens novamente, eles buscam destruir as formas de senioridade.”[1]

          Essa religiosidade nega a natureza humana, eclipsa as normas preditas pelo Senhor e se devota ao desejo de quebrar paradigmas. Sendo, pois, o novo e o livre os estimados objetos de desejo, aqueles que os possuem, são vistos como verdadeiramente felizes. Essa idolatria da mais profunda liberdade desencadeou numa profunda admiração pelo homem primitivo[2], o qual teve participação na influência ideológica da Revolução Francesa.

“A Revolução Francesa foi precedida por uma idealização similar do elemento primitivo, e o bom selvagem tornou-se um artigo central da fé humanista. As instituições e a vida civis como influências corruptoras, e assim o futuro do homem exigia um retorno ao primitivismo. O ideal do bom selvagem implicou uma revolta contra a razão em prol dos sentimentos e um ódio da disciplina em favor da espontaneidade.”[3]

      Enquanto na cosmovisão cristã a maturidade é louvada, a mentalidade revolucionária louva o irracional, a incondicional satisfação da libido, postura igualmente religiosa. Essa admiração pela liberdade primitiva pode chegar a proporções absurdas, ao ponto de defender assassinato de qualquer um, contanto que esse “qualquer” seja opositor ao discurso revolucionário predominante. Um exemplo claro disso é a mentalidade paradoxal dos que se manifestam nas mídias sociais contra a defesa da propriedade privada por meio de armas, mas são favoráveis a morte de um missionário que é morto por índios ao chegar em sua ilha com objetivo de pregar o evangelho.[4]
A cegueira idólatra desses supostos “ateus” só revela sua religiosidade anticristã, que nega a redenção bíblica pelo sangue de Jesus, e abraça a redenção da carne por meio da libertinagem. Essa nova religião se alastra com o discurso de grande otimismo quanto ao coração do homem, “siga seu coração”, dizem eles; a fonte de suas ações não é mais pautada no consciente, mas no inconsciente, no que vem de dentro.

“A psicologia ajudou a fortalece a ideia da potência do primitivo, se o inconsciente é tão poderoso no homem, então, em todas as áreas, pode-se argumentar que o poder e a determinação vêm de baixo. [5]

         O otimismo para com o que o homem sente pode – diretamente – legitimar atitudes psicopáticas. Berthoud nos chama a atenção para o problema da reivindicação jurídica do direito à liberdade suprema:

“O próprio caráter dos direitos individuais e abstratos – ou seja, sem conteúdo jurídico preciso – permite que qualquer pessoa faça uso do processo legal para manipular a realidade em benefício próprio, para saciar os desejos mais improváveis e fantasiosos. [6]

         Geralmente o mal usa roupas, e elas não revelam sua real natureza, na verdade, o camuflam enquanto seus reais propósitos não cumpridos. Toda religiosidade que nega a redenção bíblica e tem a “liberdade” como direito redentor é diabólica, pois eles “trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém. ” (Romanos 1. 25). Nessas condições, o fantasioso discurso sexual-libertário em prol do bem comum não passa de um desejo insaciável pela legitimidade da perversão sexual e substituição do Deus transcendente pelo homem natural. Quanto ao proceder diante das tendências carnais do mundo, a palavra do Senhor nos diz:

“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. ” (Romanos 12. 2).

“Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês. ” (1 Coríntios 6. 19,20).

          Apenas o retorno a verdadeira fé pode trazer redenção e verdadeira liberdade. Todo caminho percorrido pelo homem, todo suor e esforço de seu corpo, toda reivindicação de liberdade dedicada a satisfação do desejo sexual, não passa de uma decadente escravidão do órgão genital. O que nos faz racionais e distintos dos animais é a capacidade de desejar e – mediante as circunstâncias, princípios e prioridades – dizer não. A admiração pelo primitivo; a idolatria do “novo”; a suposição de que a liberdade plena é benigna; não é mais que uma cosmovisão religiosa rebelde e agressiva que ainda não encontrou seu lugar no mundo.

[1] RUSHDOONY, R. J. A Política da Pornografia. Brasília: Monergismo, 2018. p. 36.

[2] Aqui, o adjetivo “primitivo” se refere ao homem animalesco, tribal, distante.

[3] Id. Ibid., p. 38.

[4] O exemplo citado baseia-se nos comentários de uma publicação da página Quebrando o Tabu. Disponível em: <https://www.facebook.com/quebrandootabu/posts/2250780174978357?__tn__=-R&gt;. Acesso em: 17 de fev 2019.

[5]  Id. Ibid., p 57.

[6] BERTHOUD, J.-M. Uma Religião Sem Deus – Direitos Humanos e a Palavra de Deus. 1º. ed. Brasília: Monergismo, 2018. p. 138.

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