O Coração do Homem e o Desejo Libertino – I.

            A forma com que uma sociedade leva a sexualidade, revela sua visão religiosa. Se olharmos com atenção para as origens não só da libertinagem, mas para o discurso em defesa em defesa da total liberdade como direito, perceberemos algo em comum caom todo discurso revolucionário que vem ganhando força em nossa cultura. O fascínio pela liberdade é, sobretudo, demasiadamente otimista quanto à capacidade de o homem ter boas decisões, porém, essa fascinação é nociva, pois há uma incapacidade no coração do homem guia-lo de forma plena e boa.

            As causas desse clamor e busca por liberdade já são desastrosas. Esse discurso vem ganhando força até mesmo nas propagandas de marketing (o caso Monange –  marca de produtos femininos – é um exemplo disso[1]). Contudo, essa proposta não se limita a mídia, ela vem por meio de toda produção cultural. Homens com o intuito de propagar sua cosmovisão deturpada do sexo e liberdade já vêm publicando livros há séculos. Um desses escritores, já bastante conhecido, chama-se Sade[2]. Este, por exemplo, em seus escritos defendia a natureza como fator normativo para fazer ou não fazer algo. Para Sade, tudo que for natural ao desejo, não deve ser proibido, pois o que vem de dentro precisa ser permitido por questão de direito. Expondo a filosofia de Sade, diz Rushdoony: “O natural é normal, e o único crime é a negação de qualquer desejo do homem com base numa suposta lei superior provinda de Deus ou da sociedade. ” [3]

       Em contraponto a essa religiosidade libertina que declara sobre si suprema legitimidade na satisfação do desejo por alegação de pureza e soberania e justiça, a Escritura diz que “ Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria. (Colossenses 3:5), Não há um justo sequer que possa tratar seus desejos como norma saudável. Segundo a Palavra de Deus, não podemos esperar coisas plenas e boas do coração destes. O clamor por liberdade não pode jamais imputar a si mesmo algum tipo de perfeição, “pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias” (Mateus 15.19), ou seja, não podemos crer na capacidade plena do homem de exercer sua liberdade até última instância na sociedade. Portanto a reivindicação de total liberdade é perigosa, visto que aquele que a reivindica está debaixo do pecado (cf. Romanos 3. 9), e a própria reivindicação nega a Deus.

Devemos entender as causas do discurso pró-liberdade e toda sua problemática. A liberdade pode se tornar uma prisão em seu mau uso, assim como todas as coisas saudáveis podem se tornar veneno. Devemos ter uma vida completamente regrada pela Escritura. O foco desse estudo é expor, diagnosticar e combater a reivindicação da “suprema liberdade sexual” defendida por muitos, a qual tem atingido diretamente a igreja do Senhor e pervertido muitos líderes ao decorrer dos tempos. Armas para defesa contra essa filosofia precisam ser-nos dadas, não só para nossa própria defesa, mas pela saúde espiritual da igreja do Senhor e para levar Cristo aos pecadores que se encontram perdidos nessas trevas.

[1] MONANGE. [Site institucional]. Disponível em: <http://www.monange.com.br/siga-seu-coracao&gt;. Acesso em: 18 de fev 2019.

[2] Aristocrata libertino e escritor entre o século 17 e 18. Lua obra é marcada pela imoralidade e todo tipo de perversão. Foi a partir do seu nome que vieram os termos “sádico” e “sadomasoquismo”.

[3] RUSHDOONY, R. J. A Política da Pornografia. Brasília: Monergismo, 2018. p. 209.

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